Mapear quais políticas as empresas adotam significa identificar as diretrizes e limites que o mercado utiliza para regular reembolsos e cartões corporativos, garantindo governança financeira, previsibilidade de caixa e processos auditáveis no setor financeiro.
Entender quais políticas as empresas adotam para organizar seus gastos é o primeiro passo para criar regras que funcionem de verdade. Na prática, uma política de despesas bem definida orienta colaboradores sobre o que pode ser gasto, em quais condições e com qual comprovação, reduzindo decisões caso a caso que sobrecarregam gestores e geram inconsistências no financeiro.
Os dados do estudo Cenário de Despesas Corporativas no Brasil 2025, realizado pela VExpenses com base em 53 milhões de transações de 4.858 empresas, mostram que a maioria das organizações analisadas trabalha com uma única política de valores para todos os colaboradores.
Esse dado revela uma tendência clara de simplificação, mas também levanta uma questão importante: será que a política da sua empresa está alinhada com o que o mercado pratica?
Ao longo deste artigo, você vai entender os principais modelos de política adotados pelas empresas, quais categorias de despesa costumam ter valores definidos e como usar benchmarks reais para revisar suas regras internas.
Para levar em conta
- O modelo unificado de política facilita a comunicação interna e simplifica as auditorias diárias realizadas pela equipe financeira.
- Mapear perfis específicos por região geográfica ou cargo evita exceções constantes sem inflar custos administrativos desnecessariamente.
- Definir valores de reembolso incompatíveis com a realidade local sobrecarrega o setor financeiro com pedidos frequentes de exceção.
- Estabeleça regras dinâmicas ou exceções formais para hospedagem. Preços voláteis em destinos diferentes exigem tetos flexíveis ou critérios claros para autorizar despesas fora da regra.
- Crie alçadas e justificativas obrigatórias para despesas especiais. Documentar exceções legítimas mantém o controle de caixa sem paralisar a operação.
Por que políticas de despesas importam?
As políticas de despesas ocupam um papel central dentro da governança financeira de uma empresa. Sem regras claras, cada gasto se torna uma negociação individual e o financeiro perde tempo reagindo em vez de planejando.
Uma política de despesas bem estruturada cumpre funções que vão além de simplesmente definir valores. Na prática, ela:
- define o que pode ser gasto e em quais categorias (alimentação, hospedagem, transporte, entre outras);
- estabelece valores de referência por tipo de despesa, evitando que cada colaborador defina seu próprio padrão;
- determina como a despesa deve ser comprovada (nota fiscal, recibo, cupom com CNPJ);
- orienta quando exceções são permitidas, quem pode aprová-las e qual justificativa é aceita;
- reduz a margem para gastos fora do padrão, duplicidades e lançamentos sem comprovante adequado
Por outro lado, empresas que operam sem uma política formal ou com regras desatualizadas costumam enfrentar problemas recorrentes. É o caso de colaboradores que não sabem qual valor é aceitável para uma refeição e gestores que aprovam despesas sem referência de mercado.
Também é comum ter equipes financeiras que gastam dias conferindo relatórios manualmente, tentando identificar gastos fora da política que poderiam ter sido evitados no momento do lançamento.
Uma realidade que aparece com frequência nas operações de empresas em fase de profissionalização é a do processo manual: equipes financeiras que ainda recebem comprovantes por e-mail, reúnem tudo em planilhas que ficam desformatadas ao serem abertas por diferentes pessoas e perdem dias auditando despesas antes do fechamento mensal.
Por outro lado, a política, quando aplicada por meio de uma plataforma automatizada, elimina boa parte desse retrabalho porque a validação acontece no momento do lançamento, não depois.
Quais políticas de despesa as empresas adotam?
Uma das perguntas que o estudo da VExpenses ajuda a responder com clareza é quais políticas as empresas adotam. O cenário de 2025 mostra que a maioria das organizações opta por modelos simples, com poucas variações entre cargos ou áreas. No entanto, essa simplificação não significa falta de controle. Na verdade, ela indica que as empresas estão buscando regras mais fáceis de aplicar, auditar e comunicar aos colaboradores.
Os dois modelos mais comuns são a política única de valores e as políticas segmentadas. Cada um tem vantagens e limitações e a escolha entre eles depende do porte, da complexidade operacional e do perfil de deslocamento da empresa.
Acompanhe!
Política única de valores
A política de despesas corporativas de tipo única é a mais adotada entre as empresas do estudo. Em 2025, 66% das organizações analisadas operam dessa forma, o que significa que todos os colaboradores seguem os mesmos valores de referência, independentemente de cargo, região ou filial.
Esse modelo ganha espaço por motivos práticos. Quando as regras são iguais para todos, a comunicação interna se torna mais simples: não há dúvida sobre qual valor se aplica a quem.
A auditoria também é facilitada, porque o financeiro trabalha com um único conjunto de parâmetros para validar cada lançamento. Em empresas que já automatizaram a gestão de despesas corporativas, a política única reduz significativamente a complexidade de configuração e manutenção.
A tendência de adotar políticas de despesas corporativas padronizadas também reflete um movimento de transparência. Quando todos os colaboradores têm acesso às mesmas regras, isso diminui a percepção de favorecimento e aumenta a adesão voluntária à política.
As dificuldades desse modelo aparecem em operações com perfis de gastos muito diferentes. Uma equipe técnica que viaja para cidades pequenas do interior tem um custo de hospedagem e alimentação diferente de um executivo que se desloca para capitais, por exemplo.
Quando a política única não prevê essas variações, podem surgir dois problemas: valores altos demais para determinados contextos (gerando desperdício) ou valores baixos demais para outros (gerando atrito e pedidos frequentes de exceção).
Políticas segmentadas
Empresas que adotam duas ou mais políticas representam 34% da amostra do estudo. Dentro desse grupo, 17% operam com duas políticas e outros 17% trabalham com três ou mais.
A segmentação pode ocorrer por diferentes critérios:
- nível hierárquico;
- área de atuação;
- região geográfica;
- tipo de deslocamento.
Uma empresa com operação nacional, por exemplo, pode definir valores de hospedagem diferentes para São Paulo e para uma cidade do interior do Nordeste, refletindo a variação real de preços entre esses mercados.
Esse modelo faz mais sentido em operações complexas: empresas com equipes distribuídas em muitas regiões, com perfis de viagem distintos (técnicos de campo versus equipe comercial) ou que atuam em setores com regras para despesas empresariais específicas por tipo de atividade.
A principal dificuldade das políticas segmentadas é a gestão. Cada nova política adicionada aumenta os esforços de:
- comunicação (todos precisam saber qual regra se aplica);
- configuração (a plataforma precisa refletir as variações) e
- auditoria (o financeiro precisa validar cada lançamento contra a política correta).
Por isso, os dados do estudo reforçam que, mesmo entre empresas com operações diversificadas, há uma tendência de simplificação: concentrar as regras em poucas políticas claras, em vez de criar uma estrutura complexa para cobrir cada caso.
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Quais despesas costumam ter valores definidos?
As categorias que aparecem com mais frequência nas políticas de despesas corporativas são aquelas ligadas à rotina de deslocamento: refeições, hospedagem e despesas com clientes. São gastos que acontecem com recorrência, envolvem muitos colaboradores e, por isso, precisam de referências claras para evitar distorções no orçamento.
O estudo da VExpenses traz uma tabela de políticas de valores com medianas e quartis para as principais categorias. Esses números servem como ponto de partida para comparar os valores praticados pela sua empresa com o que o mercado adota.
A seguir, confira os destaques de cada grupo!
Refeições e alimentação
Alimentação é a categoria que mais aparece nas políticas de valores e também uma das mais sensíveis. Isso porque refeições fazem parte da rotina de praticamente todos os colaboradores que viajam ou se deslocam a trabalho, o que torna qualquer variação nos valores uma questão de escala.
As diferenças entre os valores previstos pelas empresas refletem variações reais de contexto, como:
- região onde os colaboradores atuam;
- perfil da operação (equipes externas versus escritório) e
- frequência de viagens.
Uma empresa com equipes técnicas em campo em cidades menores pode operar com valores próximos ao primeiro quartil sem gerar atrito. Já operações concentradas em grandes capitais podem precisar de valores próximos ao terceiro quartil para cobrir o custo real das refeições.
O ponto relevante é que esses benchmarks ajudam o financeiro a calibrar. Valores muito abaixo do primeiro quartil podem indicar uma política defasada, que gera pedidos frequentes de exceção. Já valores muito acima do terceiro quartil podem revelar uma oportunidade de ajuste sem prejuízo para o colaborador.
Hospedagem
Hospedagem é a categoria com maior variação entre empresas, justamente porque o custo de uma diária muda significativamente conforme a cidade, o período do ano, a antecedência da reserva e o tipo de viagem.
Assim, a faixa de variação na política de viagens corporativas é ampla e reflete o desafio de definir um valor único que funcione para todos os destinos.
Uma diária de R$ 150 pode ser suficiente para uma cidade de médio porte, mas insuficiente para São Paulo ou Rio de Janeiro em períodos de alta demanda. Por outro lado, definir o teto pelo custo mais alto expõe a empresa a gastos desnecessários em destinos com oferta hoteleira mais acessível.
Algumas empresas resolvem essa questão segmentando a política de hospedagem por faixa de cidade ou região. Outras preferem manter um valor único e trabalhar com exceções documentadas para destinos de custo mais elevado. O estudo completo traz esses recortes de forma mais detalhada para apoiar essa decisão.
Despesas com clientes
Almoço com cliente e jantar com cliente são categorias que costumam exigir maior flexibilidade nas políticas. A razão para a diferença nas medianas é direta: despesas com clientes envolvem relacionamento comercial e limitar excessivamente o valor pode prejudicar negociações ou causar situações constrangedoras.
Segundo o estudo da VExpenses, em média, 83% das empresas permitem que os gastos de almoço e jantar com cliente ultrapassem o valor definido na política, desde que o colaborador apresente uma justificativa. Nos demais tipos de despesa, esse percentual cai para 61%.
Essa é uma categoria em que o equilíbrio entre governança de despesas e flexibilidade é especialmente importante. Uma política que bloqueia gastos acima do valor sem possibilidade de exceção pode prejudicar a atuação de equipes comerciais. Já uma política sem qualquer referência de valor pode abrir espaço para gastos desproporcionais sem visibilidade para o financeiro.
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Como revisar sua política com dados de mercado?
Definir uma política de despesas não é algo que se faz uma vez e se esquece. Custos mudam, categorias novas surgem, o perfil de viagens da empresa evolui. Na prática, o risco de operar com uma política de reembolso de despesas desatualizada é duplo: ou a empresa gasta mais do que deveria porque os valores estão permissivos demais ou gera atrito constante com colaboradores porque os valores não acompanham a realidade.
Usar dados de mercado como referência é o que transforma a revisão de política de uma opinião interna em uma decisão informada. A seguir, confira dois caminhos práticos para fazer isso.
Compare valores internos com benchmarks
A comparação com benchmarks de mercado é a aplicação mais direta dos dados do estudo. O exercício é objetivo: coloque lado a lado os valores que a sua empresa pratica por categoria e os valores de mediana e quartis apresentados pelo Cenário de Despesas Corporativas no Brasil 2025.
Essa comparação pode revelar situações como:
- Valores abaixo do primeiro quartil: a política pode estar defasada. Isso costuma gerar pedidos frequentes de exceção, o que sobrecarrega os aprovadores e cria a percepção de que a regra não funciona. Se o valor para alimentação da sua empresa é R$ 30 enquanto 75% do mercado pratica R$ 40 ou mais, pode ser hora de revisar.
- Valores dentro da faixa entre o primeiro e o terceiro quartil: a política está alinhada com o mercado. Isso não significa que está perfeita, mas que os valores refletem uma prática comum entre empresas com perfis semelhantes.
- Valores acima do terceiro quartil: pode haver espaço para ajuste sem prejudicar o colaborador. Valores muito acima do mercado podem indicar que a política não foi revisada recentemente ou que foi definida com base em uma realidade diferente da atual.
O financeiro consegue avaliar essas diferenças de forma mais precisa quando os dados de gasto da empresa estão estruturados por categoria, por colaborador e por período. Plataformas de gestão de despesas corporativas que oferecem dashboards e relatórios por categoria facilitam essa análise porque os dados já estão organizados para comparação.
Além das categorias tradicionais, vale prestar atenção a itens que estão ganhando espaço nos orçamentos. Ferramentas de inteligência artificial, por exemplo, já representavam uma categoria de gasto real: 5,9% das empresas do estudo registraram ao menos uma despesa com IA em 2025.
Se a sua empresa já usa essas ferramentas, incluir uma linha específica na política e no orçamento evita que o gasto apareça como surpresa no meio do ano.

Defina exceções com critérios claros
Uma política que não prevê exceções acaba sendo contornada na prática. Colaboradores que enfrentam situações fora do padrão (um jantar com cliente em uma cidade cara, uma hospedagem de última hora em período de alta demanda) precisam de um caminho legítimo para registrar o gasto, justificar e obter aprovação.
O estudo mostra que a maioria das empresas já adota esse mecanismo. Nas categorias de almoço e jantar com cliente, 83% das empresas permitem que o valor da política seja ultrapassado mediante justificativa. Nas demais categorias, 61% adotam o mesmo modelo.
Documentar as exceções com critérios claros envolve responder três perguntas:
- Quando o valor pode ser ultrapassado? Defina as situações aceitas. Despesas com clientes, deslocamentos para cidades com custo de vida acima da média e viagens de última hora são contextos comuns.
- Qual justificativa é aceita? Exija que o colaborador registre o motivo no momento do lançamento. Soluções de gastos corporativos que permitem campo de justificativa vinculado à despesa facilitam esse processo e garantem rastreabilidade.
- Quem deve aprovar? Defina a alçada de aprovação para exceções. Em muitas empresas, o gestor direto aprova gastos dentro de uma faixa e o financeiro aprova acima de determinado valor. A validação automática de políticas e aprovação multinível dentro de uma plataforma reduz o tempo de resposta e evita gargalos.
O equilíbrio entre padronização e flexibilidade é o que separa uma política que funciona de uma que apenas existe no documento. Ao entender quais políticas as empresas adotam, você nota que as com mais sucesso são aquelas que combinam regras claras para o dia a dia com mecanismos de exceção documentados para as situações fora do padrão.
Veja o cenário completo de despesas em 2025
Os dados e análises apresentados neste artigo cobrem apenas uma parte do que o estudo traz sobre as políticas que as empresas adotam. O material completo inclui tabelas detalhadas com benchmarks por categoria de despesa, análises sobre formas de pagamento, processos de gestão, um capítulo dedicado ao impacto da Reforma Tributária e dados sobre o crescimento de gastos com inteligência artificial nas empresas brasileiras.
Se você quer comparar a realidade da sua empresa com o mercado e usar dados concretos para embasar decisões sobre limites de despesas corporativas, o estudo da VExpenses é o ponto de partida.
Baixe o Cenário de Despesas Corporativas no Brasil 2025 e acesse os dados completos de 53 milhões de transações analisadas.
Conclusão
Quais políticas as empresas adotam é uma pergunta que interessa a qualquer equipe financeira que quer sair do improviso e criar regras baseadas em dados reais. Os números do Cenário de Despesas Corporativas no Brasil 2025 mostram que a maioria das empresas caminha na direção de políticas simples, padronizadas e aplicadas por meio de plataforma automatizada.
Esse movimento de simplificação não significa abrir mão de controle. Pelo contrário: políticas de despesas corporativas bem definidas, com valores calibrados por benchmarks de mercado e mecanismos claros de exceção, dão ao financeiro a previsibilidade necessária para planejar com segurança e identificar desvios antes que se tornem problemas.
Se a política da sua empresa não foi revisada nos últimos 12 meses, os dados do estudo oferecem a referência que faltava. Baixe o material completo, compare os valores praticados com as medianas e os quartis por categoria e use essas informações para tomar decisões mais seguras no próximo ciclo orçamentário.







